Diante dessa enxurrada de
informações e controvérsias, uma pergunta muito simples
ainda merece resposta: o que há de ficção e realidade na
obra de Dan Brown? Com esse objetivo, entrevistamos o
professor Rodrigo Silva, doutor em Novo Testamento pela
Pontifícia Faculdade Nossa Senhora de Assunção (SP) e
especialista em Arqueologia pela Universidade Hebraica de
Jerusalém. Ele é autor do livro A Arqueologia e Jesus
(2005) e curador-adjunto do Museu de Arqueologia
Biblica Paulo Bork, localizado no Centro Universitário
Adventista de São Paulo (Unasp), em Engenheiro Coelho (SP).
Nesta entrevista, o Dr. Rodrigo Silva fala sobre as
inconsistências históricas do romance, explica como se deu a
organização e manutenção dos livros bíblicos, e desmistifica
o possível envolvimento amoroso de Cristo com Maria
Madalena.
Kerygma -
Por que o senhor resolveu
estudar O Código Da Vinci?
Dr. Silva - A princípio, não tive
intenção de ler o livro. Aliás, livros sensacionalistas
sempre são publicados, um atrás do outro e depois de um
tempo você começa a ficar vacinado. Foram vários –
Operação Cavalo de Tróia, Eram os Deuses
Astronautas?, o Código da Bíblia – e depois de
algum tempo você percebe que não passa de um modismo ou de
alguém querendo ganhar dinheiro. Não é difícil encontrar
alguém que diga ter encontrado o quinto evangelho, o décimo
primeiro mandamento, a existência de uma conspiração mundial
ou qualquer coisa sensacionalista. Porém, a quantidade de
pessoas que se fixaram nesse tipo de literatura – que eu sei
que não traz boa informação – e faz um questionamento sério
contra o cristianismo, me obrigaram a estudar o livro e dar
uma resposta à altura aos ataques que ele faz contra o
cristianismo.
Kerygma
- Como o senhor avalia o livro?
Dr. Silva - É um livro muito bem
escrito do ponto de vista literário. Apesar de se tratar de
uma ficção, o argumento é empolgante. Ele é um bom
roteirista. É uma peça literária de características muito
boas. É uma leitura que prende o leitor. Tem suspense
intercalando as cenas. Tem um episódio ocorrendo no Museu do
Louvre e outro episódio ocorrendo no outro lado do país, em
Saint Sulpice. Pena que com um conteúdo muito perigoso, no
sentido das pessoas confundirem a obra como se ela tivesse
um valor histórico. Na verdade trata-se de uma ficção com
erros totalmente comprometedores no que diz respeito à
veracidade histórica.
Kerygma - O romance dá a entender que a
Bíblia, como se tem hoje, foi fruto dos interesses
do imperador romano Constantino. Ademais, a Igreja Católica
teria canonizado os evangelhos tradicionais (Mateus,
Marcos, Lucas e João)
para manipular a história de Jesus. Isso procede?
Dr. Silva -
Não, o processo de canonização dos livros da Bíblia
antecede em muito a era constatiniana. O Cânon Muratoriano,
por exemplo, escrito por volta do ano 200 a.D. ou até mesmo
antes, já trazia a lista de livros aceitos como inspirados
no Novo Testamento. Antes disso, os judeus já tinham o cânon
do Antigo Testamento fechado. A única coisa em termos de
cânon que a Igreja Católica fez (e isso não se deve a
Constantino, mas a Jerônimo e ao papa Damásio) foi
acrescentar no IV século alguns livros apócrifos ao Antigo
Testamento (Macabeus, Judite, Baruque,
etc.) e mais alguns capítulos ao livro de Daniel e
Ester. Mas a própria Vulgata Latina,
tradução da Bíblia para o latim, produzida por
Jerônimo, trouxe uma nota dizendo que esse material fora
acrescentado e não fazia parte da lista original. A maioria
absoluta dos evangelhos apócrifos ou gnósticos é posterior a
isso e, portanto, nada têm a ver com a canonização como se
pretendessem ser retirados por conterem "verdades" que
abalariam a fé. Isso é romance, não realidade histórica.
Kerygma
- Alguns questionam a confiabilidade dos escritos
bíblicos por desconhecerem ou desconfiarem do modo como ela
foi copiada ao longo dos séculos. É possível evidenciar que
a Bíblia que temos hoje é a
mesma que foi escrita por seus autores originais?
Dr.
Silva - Sim, e
para isso há um trabalho bastante científico que
os acadêmicos chamam de crítica textual. Ela é
usada com todos os livros da antiguidade dos
quais temos apenas cópias manuscritas. De todas
as obras clássicas da antiguidade (Ilíada
de Homero, História de Heródoto, Os
anais de Tácito, etc.) nenhuma é tão bem
pesquisada e rica em evidências documentais
(isto é, manuscritos) como a Bíblia. Só
para se ter uma noção, enquanto o Novo
Testamento possui algo em torno de 5.300 cópias
antigas bem documentadas e catalogadas, o
segundo livro mais bem documentado (e que está
num longínquo segundo lugar) é a Ilíada
de Homero, com apenas 643 cópias. Depois, bem em
terceiro lugar, os discursos de Demóstenes com
duzentas cópias, e assim por diante.
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Além disso, temos uma excelente
prova da fidedignidade textual do Antigo Testamento no
achado de 1947 dos manuscritos do Mar Morto (foto acima).
Ali se encontraram cópias do Antigo Testamento datadas de
até 270 a.C. Ora, se a Bíblia tivesse sido
modificada nesse meio tempo, os manuscritos encontrados
próximo ao Mar Morto demonstrariam isso, pois foram copiados
antes de surgir o cristianismo. E eles confirmam o texto que
hoje possuímos.
Kerygma
- Segundo a versão do livro, a
biografia de Cristo relatada pelos evangelhos apócrifos
difere muito da contada pelos evangelhos bíblicos. O que
caracteriza um livro apócrifo e por que esses são rejeitados
pelos cristãos?
Dr. Silva -
Eles são rejeitados pelas seguintes questões: (1) são
tremendamente tardios, foram compostos séculos depois da
morte de Cristo; (2) são fruto de grupos cismáticos com o
Cristianismo apostólico. Os gnósticos, por exemplo, romperam
com a tradição apostólica e resolveram criar sua tradição
por conta própria, mas sem ter testemunhas oculares, pois os
eventos já haviam há muito ocorrido. Eles diziam não
precisar do testemunho apostólico histórico, pois uma
revelação (gnose/conhecimento) especial os indicaria o que
escrever; (3) sua história é por demais ridícula para ser
acreditada. O evangelho de Judas (tão badalado
ultimamente), por exemplo, diz que o traidor de Jesus é o
verdadeiro herói porque permitiu que Cristo morresse e Sua
alma pudesse ir em paz para o céu. Já pensou se isso fosse
tomado a sério pela humanidade?
Kerygma
- Dan Brown se baseia no evangelho de Filipe
para dizer que Jesus teria beijado Maria Madalena na boca. O
senhor parece contrapor essa idéia com as evidências da
própria fonte do autor, o livro apócrifo. Explique.
Dr. Silva - Ele faz essa
afirmação, com base num evangelho gnóstico chamado de
evangelho de Filipe, que data do terceiro século
d.C. Esse evangelho de Filipe foi encontrado em Nag
Hammadi, no Egito e traz, de forma bastante fragmentada, um
texto copta. Sir Teabing, personagem do livro, cita o
evangelho de Felipe mencionando Maria como a
companheira do Senhor. E concluiu: "Qualquer estudioso do
aramaico poderá lhe explicar, a palavra companheira, naquela
época, literalmente significava esposa." p. 263. O
interessante, porém, é que o evangelho foi escrito em grego
e a única coisa que resta é uma tradução copta.
"E a companheira do Salvador
é Maria Madalena. Cristo amava-a mais do que a todos os
discípulos e costumava beijá-la com freqüência na boca.
O restante dos discípulos ofendia-se com isso e
expressava sua desaprovação. Diziam a ele: "Por que tu a
amas mais do que a nós todos?" - Texto de Brown.
Além de ser um texto tardio (c.
250 AD), o evangelho de Felipe está rasgado em
muitas partes. Foi encontrado assim. Se respeitarmos as
partes faltantes o que temos é o seguinte:
E a companheira do [...
Ma]ria Mad[alena]. [... amou] a ela mais que [todos] os
discípulos [e costumava] beijá-la em sua [...as ] demais
[mulheres {ficaram ofendidas?}] - note não discípulos -
viram seu amor por Maria e perguntaram a ele: Por que o
senhor [a] ama mais do que a nós. E o Senhor respondendo
disse: Por que eu não amo vocês tanto quanto a ela?
[...] - Felipe 59 ou 63:33-36 [dependendo da edição
impressa em que se encontre]
Obs.: O sentido final pode ser
"quem disse que eu não as amo tanto quanto a ela?" Note-se
ainda que o evangelho de Felipe não diz em parte
alguma que Jesus e Maria eram casados. O livro original em
que Dan Brown se baseia, não diz que Jesus beijou Maria na
boca. O texto original diz que “a companheira do ( ) a ela
mais do que a todos os discípulos e beijá-la em sua ( )”.
Enfim, a pergunta que fica é beijava aonde? Pode ser em sua
mão ou em sua face. O texto original não diz em que lugar
Jesus a beijava, foi o autor de O Código Da Vinci e
alguns editores modernos que colocaram, por conta própria,
as palavras “beijou na boca”. Mas convenhamos, você pode
estar colocando em risco a verdade dos fatos afirmando algo
que não pode ser provado. Naquela lacuna eu posso colocar
qualquer outra palavra – face, mãos, testa, o que era mais
normal para aquela época.
Kerygma
- Uma questão muito evidenciada na
obra é o suposto interesse da Igreja Católica em manchar a
imagem de Maria Madalena. Como o catolicismo vê a mulher?
Dr. Silva -
Eu não sou católico, portanto não teria nenhum interesse em
defender a Igreja Católica, mas também não vou criticá-la
naquilo em que ela não está errada. O catolicismo não tem a
menor dificuldade em aceitar a presença da figura feminina
no sagrado, como diz o livro. O livro advoga a tese de que
Madalena era uma deusa ao lado de Jesus e isso foi retirado
da teologia porque o catolicismo temia a presença feminina
na sua teologia. Mas se o Vaticano temesse a presença do
feminino na sua teologia, não seria tão clara em sua devoção
a Maria, mãe de Jesus. A teologia católica chega a ter um
estudo chamado “Mariologia”, em defesa de Maria, como “a mãe
de Deus”.
Kerygma
- Em sua opinião, quais são
algumas das inconsistências históricas da obra de Dan Brown?
Dr. Silva -
A própria maneira com que ele trata os autores do
Renascentismo, dizendo que Da Vinci era homossexual, quando
não há nenhuma base histórica para isso; dizendo que a
Monalisa que Da Vinci pintou, na verdade era um quadro
codificado também para retratar o feminino sagrado; e
defendendo aquela idéia que Maria Madalena era a consorte de
Jesus. Veja o que diz o próprio autor, numa descrição de
determinada aula ministrada por um professor de Harvard, na
página 130:
- Digo sim, respondeu
Langdon, sabe qual era a companheira de Amon? A deusa da
fertilidade?
A pergunta recebeu vários minutos de silêncio como
resposta.
- Era Isis - disse-lhes Langdon, apanhando uma caneta
para escrever no quadro.
- Então temos o deus Amon - e escreveu o nome no quadro
- e a deusa Ísis, cujo pictograma antigo era L'ISA.
Langdon terminou de escrever e afastou-se do projetor,
recuando. AMON L'ISA”.
O nome de Isis não era grafado
L'ISA: Pronúncia aproximada "Aw-set or Ow-set." Em grego a
primeira ocorrência deste nome foi no século V a.C. (Jônico)
THS ESIOS (genitivo). Em copta era (Ese) ou (Esi), Aay-seh
ou Aay-see. E mais, Isis não era companheira de Amon e sim
de Osiris, a companheira de Amon era Mut.
Da Vinci, nós sabemos que era um pintor sério e a Monalisa
que ele pintou, nada mais era que uma mulher chamada Lisa,
casada com Giocondo de Gherardini, homem rico que tinha
casado recentemente. Ela estava grávida e o marido
encomendou esse quadro a Da Vinci para presenteá-la.
Monalisa significa “Minha Lisa” – nada mais, nada menos.
Outras madonas como ela também foram pintadas por outros
pintores renascentistas. Era uma forma normal de se ganhar
dinheiro. Alguém contratava um pintor e ele retratava. O
quadro de Da Vinci ficou famoso porque, pela primeira vez na
história, nós temos um quadro com características
dimensionais. Ela está como uma fotografia. Até então, as
técnicas da pesquisa davam aos quadros uma característica de
painel. Então, a novidade do quadro é do ponto de vista
artístico e não filosófico ou teológico.
Além disso, o livro diz que "de acordo com os costumes
judaicos, o celibato era proibido" p. 262. Justamente pelo
contrário, havia tradições judaicas que encorajavam o
celibato. Entre os essênios, por exemplo, havia essa ênfase
e o casamento era visto como uma possibilidade (1 Qsa
1:4-10; Josefo, Antigüidades 18.1.5.21; Philo, Hipotética
11.14). Entre os essênios, ficar solteiro era uma maneira de
demonstrar inteira dedicação a Deus. Noutra feita do
romance, ao mostrar as fotos de alguns manuscritos, Sir
Leigh (um personagem que faz as vezes de historiador) diz
para Sophie (a mocinha do enredo): “-São fotocópias dos
manuscritos de Nag Hammadi e do Mar Morto... São os mais
antigos registros cristãos”. p 263
Embora os textos de Nag Hammadi incluam textos gnósticos
cristãos, os manuscritos do Mar Morto, não! São
pré-cristãos. Além disso, Nag Hammadi é da segunda metade do
IV século. Como podem ser os mais antigos registros
cristãos?
Kerygma
- O senhor também questiona os
dados que o novelista apresenta sobre a origem do Priorato
de Sião e a fundação de Paris. Por quê?
Dr. Silva -
O autor coloca toda a base de sua tese na afirmação de que o
dito Priorato foi fundado em 1099, pelo rei francês
Godofredo de Buillon, quando na verdade o Priorato de Sion é
uma ordem política fundada por Pierre Plantard, na década de
1950. Plantard que foi preso várias vezes por fraude e já
está provado que era o cabeça de um movimento anti-semita
que pretendia “purificar” a França. Ele sim, se dizia
herdeiro do trono francês e descendente de Jesus e Maria.
Foi, portanto, Plantard e não Buillon quem fundou esse
movimento. Foi ele também quem implantou documentos falsos
na Biblioteca Nacional de Paris. É bom que se diga que ele
mesmo admitiu a sua falsificação no tribunal. Ele mesmo
admitiu que forjou toda a história a respeito do Priorato de
Sião, que numa versão procederia do século XVI e na outra do
século XII, mas que de histórico não tinha nenhuma prova.
Ele fala também que a família Merovíngia fundou Paris:
“Os merovíngios fundaram
Paris (p. 274) e foram perseguidos pelo Vaticano que
tentava matar seus descendentes. Houve momentos em que a
descendência quase foi extinguida.”
A família Merovíngia fundou
Paris? Mas nem de longe! Qualquer estudioso da França sabe
que Paris foi fundada por uma tribo celta gaulesa chamada
Parisii no II século a.C. O que os merovíngios fizeram foi
tornar Paris a capital do Império Franco em 508 d.C.
Kerygma
- Fale mais sobre as fontes de
Brown e Pierre Plantard, o fundador do Priorato.
Dr. Silva -
As fontes principais de Brown são
livros como Holy Blood, Holy Grail – de Michael
Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln. Lá fala do Priorato,
do casamento de Jesus, do bebê chamado Sarah e da
legitimidade dos descendentes de Cristo quanto ao trono da
França. Em 1953, um francês chamado Pierre Plantard foi
preso por fraude. Em 1954 ele fundou um pequeno clube social
chamado Priorato de Sião. Ele tirou esse nome de um grupo de
direita do século XIX que lutava contra o governo por
questões trabalhistas. O propósito aparente do seu clube era
administrar habitações para pessoas de baixa renda. Mas logo
foi revelado que eram um grupo anti-semita e neo-nazista,
que pretendia "purificar e renovar" a França. O grupo foi
dissolvido em 1957, mas Plantard manteve o nome. Entre 1960
e 1970 ele se proclamou herdeiro do trono francês,
descendente de Jesus e Maria e pôs documentos falsos na
Biblioteca Nacional Francesa (são esses documentos que Brown
cita na pág. 221). Algum tempo depois, nos anos 70, Plantard
foi acusado por um associado, que disse ter participado da
fraude. Depois, nos anos 80, foi desmascarado pelo
jornalista Jean-Luc Chameil. Finalmente ele mesmo confessou
em juízo, no dia 11 de setembro de 1993, que forjou estes
documentos. O curioso é que ele estava depondo
voluntariamente a favor de outra pessoa do governo quando o
assunto veio à tona. Plantard morreu no anonimato em
fevereiro de 2000.
Kerygma
- O que dizer sobre a “nova leitura” que o autor faz do
quadro da Santa Ceia, de Da
Vinci?
Dr.
Silva - Sim. Ele
afirma que um dos personagens da Santa Ceia
que está sem barba não é um apóstolo e sim Maria
Madalena, justamente pelo fato do mesmo não
possuir barba e, além disso, ter traços
afeminados. Devemos entender que, caso isso
fosse a intenção de Da Vinci, não seria nada
além de sua opinião pessoal, sobre um assunto
que ele não vivenciou, expressado numa tela.
Isso não significa a verdade dos fatos. Porém,
João, o discípulo amado é quem está sem barba e
com feições afeminadas. É bom que se diga que
era comum à pintura renascentista pintar os mais
moços com expressões afeminadas. Elizabeth Levy,
especialista em história da arte, explica que em
seu Tratado Sobre a Pintura, Leonardo
comenta que cada figura deve ser pintada de
acordo com sua posição social e idade. Um homem
sábio, uma velha, uma criança, etc. Um neófito é
sempre pintado com cabelos longos e rosto bem
barbeado transmitindo a idéia de que não está
maduro ainda.
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Existem, inclusive outros
quadros de Da Vinci, onde ele faz isso, ao pintar, por
exemplo João Batista. Sandro Botticelli também, ao fazer um
auto-retrato, ficou com expressões que nós, erroneamente,
entenderíamos como efeminadas. Até Jesus e os santos, em
alguns quadros renascentistas são colocados dessa forma, ao
retratarem sua adolescência. Isso não significa que aqueles
personagens fossem homossexuais, muito menos uma mulher.
Caso Dan Brown tivesse razão, e aquele personagem fosse
Maria Madalena, a pergunta clássica é: onde foi parar o
décimo segundo discípulo? Afinal, todos sabemos que Jesus
tinha doze apóstolos e não onze.
Kerygma - Como o senhor explica o
sucesso editorial de O Código Da Vinci?
Dr. Silva - Nós estamos vivendo “a era
da queda dos grandes discursos”, ou pós-modernidade. As
pessoas estão escaldadas da tradição. Estão cansadas dos
ritos antigos, do velho discurso, da velha história. Querem
coisas novas e, qualquer coisa que aparentemente esteja
modificando a história, ou provando que vivemos uma farsa
até aqui, aguça a curiosidade e a emoção das pessoas.
Kerygma - Quando se fala em
historicidade da Bíblia, inevitalmente, a tendência
é buscar respaldo na Arqueologia. Como essa área do
conhecimento tem esclarecido a identidade do homem Jesus?
Dr. Silva -
Se você estivesse me entrevistando
por volta de 1900 e nós estivéssemos na Alemanha sua
pergunta possivelmente seria: podemos crer que Jesus existiu
de fato? Hoje, a Arqueologia provou que Jesus existiu. Logo,
a nova moda dos questionadores é saber se o Jesus que
existiu é o mesmo da Bíblia. Isso é modismo
filosófico, não ciência séria. Cada dia que passa, a
Arqueologia confirma mais que os discursos, descrições e
ensinos de Jesus - conforme aparecem nos evangelhos -
sustentam um quadro bastante autêntico e afinado com o
ambiente judaico do primeiro século.
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