Sábado, 19 de Maio de 2012
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A metamorfose
O escritor Franz Kafka, em uma de suas obras, conta a história de Gregor Samsa, um trabalhador assalariado que sustentava a família. Morava com os pais e a irmã, e todos os dias voltava para casa como uma monocórdia rotina. Um dia, voltou do trabalho como de costume, foi dormir e, ao acordar na manhã seguinte, viu que havia se transformado em um inseto. A partir daí, o autor passa a descrever as sensações de Gregor e todas as crises que ele vai vivenciando. Descreve o drama, a crise de identidade e as mudanças que haviam acontecido em seu corpo. Logo, seus pais, vizinhos e muitas pessoas da cidade tomaram conhecimento do que havia acontecido e passaram a tratá-lo como uma aberração. Era desprezado, sumariamente excluído do meio social. Ele já não se sentia parte do meio onde vivia. Sentia que era um monstro, que não poderia fazer nada para mudar sua situação.
Assim como Gregor, uma pessoa que teve seu encontro com Cristo registrado nos evangelhos experimentou esse afastamento da sociedade e também foi excluído do meio onde vivia. No capítulo 2 de Marcos, conhecemos o relato do paralítico de Cafarnaum, que teve um encontro um tanto incomum com o filho de Deus.
As lentes narrativas dos evangelistas nos levam a uma casa onde Jesus estava, na cidade de Cafarnaum, vindo de Gadara, onde muitos presenciaram o bizarro episódio dos espíritos malignos que foram para a manada de porcos. Muitos em Cafarnaum afluíram para essa casa sabendo por outros sobre a presença de Jesus. Muitas mentes estavam ali para ver de perto o tal líder polêmico que tanto se falava. Pensavam ser uma onda passageira ou um exagero obsessivo de alguns extremistas anti-governo. Os poderes milagrosos desse suposto profeta eram muito requisitados, mesmo que a motivação das pessoas não fosse religiosa. Foi assim que a casa ficou lotada. Até mesmo as entradas foram tomadas pela multidão.
Mudamos nossa câmera para uma visão em primeira-pessoa. Aqui temos o paralítico que estava em uma constante busca pelo Messias, o filho de Deus. Nós nos colocamos em seu lugar e vemos que seria um conto de fadas imaginar o pobre homem, sozinho, acessar a tal casa contornando aquele aglomerado. Quase em transe, os espectadores nem sequer viram o deficiente querendo chegar ao recinto. Revivendo em sua mente, como um videoteipe dos principais momentos, muitos flashes vinham à tona, atormentando sua mente com o embargo dos líderes religiosos de sua miserável condição. Seriam as mazelas físicas resultado da sua falha na comunhão com Deus? Não sabia, mas não desistiu e ficamos olhando de um lado para o outro, procurando uma solução. Somos surpreendidos por alguns amigos daquele homem paralítico. Um misto muito sólido de fé e ousadia - algo maior que eles mesmos estava em jogo; tão seguros e comprometidos com a verdade de Jesus. E estes o levaram ao telhado e fizeram uma abertura para descer seu leito até onde Jesus estaria.
Todo aquele ânimo dos seus amigos fez com que o paralítico fortalecesse seu desejo de encontrar o grande Mestre. Somente o fato de estar na presença de Jesus era o suficiente para aquele homem. Ele é levado até os pés de Jesus, sentindo-se indigno do perdão divino. Antes mesmo que dissesse alguma coisa, recebe o inacreditável perdão dos pecados. Inacreditável para quem assistia com o coração encerrado em orgulho próprio. Mas a tranquilidade do perdão ninguém tiraria dele. Faz-se uma pausa na narrativa, enquanto a sociedade atual contra-argumenta, questionando as Escrituras e desacreditando os conceitos propostos pelos seguidores da Palavra de Deus; as pessoas vão tateando no escuro. E a filosofia das meias-verdades proposta pelo inimigo das almas vai encontrando muitos adeptos em ideias modernas e neo-conceitos que distorcem a argumentação bíblica e fazem os episódios do povo de Israel tornarem-se sem efeito ou valor.
E agora voltamos à incrível cena. O paralítico diante de Jesus, em silêncio. Convém lembrar que, em nenhum momento, pediu qualquer coisa. Mas Jesus fez o que sempre fazia com os líderes judeus, os pobres, os doentes, os seguidores, os desesperados e os crentes: Ele leu o coração deles. De todos, naquele recinto repleto de vozes. O que adianta o perdão, alguns poderiam pensar. O que o paralítico precisava era a cura da deficiência. Mas ele sentiu-se satisfeito. Estava tudo completo agora. A maior necessidade do ser humano hoje é o perdão dos pecados. O Mestre lança um desafio para os que estavam ali. "O que acham que é mais fácil: dizer 'eu perdoo seus pecados' ou 'Levante-se, pegue sua maca e comece a andar?'; "Ele não pode falar assim. Que blasfêmia. Só Deus perdoa pecados" , eles confabulavam.
Jesus queria saber a base da fé daqueles que estavam ali. Queria mostrar que a filosofia cristã não precisa de provas físicas para se estabelecer. Não são de coisas palpáveis que se determina a fé. E, com propriedade, Jesus pôde mostrar que Ele, o cumprimento do sacrifício do cordeiro da antiga aliança, tinha a autoridade de não apenas perdoar os pecados, mas em ser exatamente aquilo que a humanidade precisa. Foi nisso que o paralítico confiou. Nosso ponto de visão muda novamente. Agora, nós vemos através de um dos que estavam na multidão, que ouve o comando de Jesus conferindo a cura física para o transformado paralítico. Ele se levanta como se nunca tivesse em sua vida qualquer dificuldade para andar. Algo que, mesmo esfregando com descrença os olhos, continuava sendo muito real.
E os olhos que queriam ver, não viam, pois não compreenderam o que estava por trás na história. E o nosso ponto de vista se desfaz para criarmos a nossa visão dos fatos. Daqueles que não viram, mas creram e, por isso, viram o que a multidão não via. E que o verdadeiro milagre não curou a paralisia física. Curou os que tinham corações abertos. E não era apenas um.
Autor: Lucas Diemer de Lemos
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Comentários
saergio rodrigues de souza
27/01/2012
é intessanate essa historia
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